Estou encarando agora as consequências de uma vida em que não houve liberdade de expressão. Sempre me pergunto de onde surge tanto medo ... meus medos já foram tantos, que já cheguei a imaginar todas as síndromes possíveis que eu podia ter. Já tive quase certeza que eu tive síndrome do pânico por um bom tempo. Isso era quando meu nível de medo era completamente absurdo e apenas a idéia de sair de casa me fazia sentir mal. Esse mal, era medo. Quando comentei essa hipótese para os meus pais, eles disseram que eu sou louca : ' Ah magina Isabella, você não tem nada, é coisa da sua cabeça ! ' - Ótimo, minha imaginação está tão fértil que eu chego a inventar meu próprio medo e as minhas possíveis doenças psicológicas. Será que eu devo agradecer a eles (meus pais) por terem me ensinado pelo método mais complicado ? : você é muito insegura; tão inocente; fique sempre junto de alguma colega; não vá há lugar algum sozinha; sempre pergunte se pode antes para o seus pais . Eles me fizeram sentir a pior de todas as crianças por não me falarem parabéns por ter ido bem na provinha da escola. Também fizeram eu me sentir sempre insegura, já que tudo era perigoso. Criaram-me dentro de uma 'bolha' a qual eu nunca tive acesso a informação nenhuma. Lógico, sempre tudo com muito amor, disso eu não tenho dúvidas. Mas pra que serviu tudo isso ? Nada. Quando me libertaram eu fiz tudo o que eu queria fazer, descobri tudo o que desejava descobrir, cometi muitos erros. A culpa de todos eles sempre era minha, eles me diziam. Mas eu não concordei e por isso mesmo, eu nunca pedi desculpas a ninguém da minha família por ter feito tanta coisa errada. Os meus erros são consequências de como a minha vida foi levada durante esse tempo. Toda a falta que eu senti de inúmeras coisas que um adolescente precisa, resultou na FALTA que eu tive na hora de procurar ajuda. Não há como mudar, é algo que simplismente aqui na minha casa não existe. Diálogo. Ah , mas eu não quero culpar ninguém. Agora eu tenho a chance em minhas mãos de reverter essa situação, de daqui pra frente tentar fazer tudo diferente, sempre trazendo em mente que independente do que aconteça comigo eu não vou ter com quem conversar; eu preciso aprender a criar minha própria independência que eu vivo cultivando desde pequena. Além de ser a independência em minhas ações, eu também digo de ser livre nos meus pensamentos. Livre para dizer, falar, sofrer, amar, pensar o que quiser e manter a minha própria opinião sobre todas as coisas que eu sei. Sendo livre primeiramente em meus pensamentos, em seguida, serei em minhas ações ... estou me formando aos poucos em jeito meu de ser que eu possa usar sempre como proteção para esse mundão que eu enfrento todos os dias, sozinha ... Obrigada por nada.
Bella
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