domingo, 29 de março de 2009

Danças de enganos

Todos nós temos medos. Uma boa parte deles são direcionados a sociedade, que nos impõe tantas coisas; falsas liberdades. Nessa ânsia de se interar ao 'todo', mais a falta de opinião e valores, as pessoas começam a ter medo de não estarem bem enquadradas na sociedade. Surgem o medo de não ser valorizado pela turma, o medo de não ser rico o suficiente, o medo de ficar gordo, o medo de não ser musculoso, o medo de ter que perder a melhor balada, o medo de não frequentar o clube mais chique, o medo de fazer a escolha errada, o medo de não possuir as últimas novidades da tecnologia ... idealizando a liberdade nessas atitudes. Concluindo: as pessoas começam a ter medo de não serem livres. Esssas pessoas acabam perdendo a própria liberdade de escolha, sendo conduzidas a ter o que os outros tem. A pressão, a gordura, a canseira, a insônia, a depressão, a euforia, a solidão ... um monte de fatores também no levam a ser influenciados com tamanha facilidade. Somos motivados a 'ter', 'querer', 'possuir', 'ser' ... e é tudo um engano, mas nas nossas mentes temos que parecer todos iguais. Para manter-se dentro desses fatores as pessoas começam a querer aparentar serem mais novas, iludindo-se que a juventude seja capaz de trazer mais vantagens. Ok, até que é verdade, mas nos esquecemos da maturidade, que só pode ser adquirida através do passar dos anos ... agora quem vive assim, pulando etapas ou tentando desviar de algumas, acaba perdendo-se nessa falsa juventude, enganando o tempo e ganhando imaturidade. Parece que do começo ao fim da vida, nós somos cobrados: O que você vai ser? Passou no vestibular? O que vai estudar? Já transou? Treza anos e ainda não ficou? Nunca ficou de ressaca? Ainda não é menstruada? Nem experimentou maconha ainda? Somos pressionados por exigências absurdas. É nesse momento que a maturidade e as opiniõe próprias nos salvam dessa onda de cobranças. Talvez possamos escapar disso tudo, se levarmos a vida de uma maneira mais natural, curtindo do jeito que podemos, sem nada para nos atordoar. Combater ânsias, ignorar ofertas no fundo desitenressantes, nadar contra a correnteza também ajuda. A sociedade é insegura, desorientada, em crise. Ela é o 'todo' e não são todos que são bons, junte tudo agora e veja, perceba as milhares coisas ruins que ela tem para nos ensinar. Tem coisas boas sim, afinal estamos julgando-a pelo todo (o bem e o mal; o ruim e o bom) ... mas saber filtrar as duas antíteses é uma raridade que poucos tem a personalidade, consciência, coragem e maturidade para fazer. Liberdade não vem de correr atás de 'deveres' impostos de fora, mas de construir a nossa existência. Não temos que correr apavorados e angustiados atrás de modelos, máscaras e ilusões para aguentar a vida. O tempo acabado esgotando-se e acabamos em uma sinuca de bico: sem liberdade pra descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito.

(Baseado em um texto da Lya Luft).

Bella

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